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MANUAIS

Manual BVO Aéreo

Dr. Marcos Vilela de M. Monteiro

Introdução

Ultra Baixo Volume (UBV) é o nome que se dá para aplicações de defensivos em volumes abaixo de 5 litros por hectare em forma pura ou diluídos em um veículo oleoso. Entre 5 e 10 litros por hectare podemos considerar aplicações como de Baixo Volume (BV). Nas condições do Brasil Central, em virtude das condições meteorológicas adversas de altas temperaturas e baixas umidades relativas do ar nos períodos de aplicação aérea, essas aplicações somente devem ser feitas com o auxilio de óleos emulsionáveis ou melaço.

Para essas regiões o CBB desenvolveu nos últimos anos a técnica de aplicação denominada Baixo Volume Oleoso - BVO®.

As técnicas de UBV para diminuir a evaporação das gotas e aplicar inseticidas concentrados foram usadas em aplicações aéreas pelos ingleses na África e na Ásia após a Segunda Guerra Mundial para o controle de gafanhotos e mosquitos, mas somente se tornaram operacionais em 1963 após um trabalho realizado por cientistas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e da Companhia América Cyanamid produtora do inseticida Malathion.


Engenheiro Agrônomo - Doutor em Agronomia pela ESALQ/USP - Diretor do   Centro Brasileiro de Bioaeronáutica

Nesses estudos os pesquisadores adaptaram os sistemas de pulverização dos aviões convencionais para aplicar volumes muito baixos de inseticidas e mediram os resultados físicos e biológicos depois de retirar toda a água usada como veículo e também os emulsificantes e solventes usados para dissolver os princípios ativos em água. Essa técnica de aplicação foi descrita como “Low Volume Concentrate” (LVC) a qual no Brasil se chamou Ultra Baixo Volume (UBV), sendo as neblinas inicialmente produzidas por bicos hidráulicos.

Comparada com as aplicações convencionais, a nova tecnologia se mostrou na prática até duas vezes mais barata, mais eficiente no controle das pragas, e acima de tudo duas a três vezes mais produtiva, considerando-se o rendimento dos aviões agrícolas. Áreas distantes 20 a 30 quilômetros das pistas de operação podem ser tratadas economicamente com o sistema de Ultra Baixo Volume.

Mais tarde na década de 70 os cientistas ingleses desenvolveram o conceito de Gota de Ótima Eficiência Biológica ou “Biological Optimum Droplet Size” (BODS) e criaram a técnica de Ultra Baixo Volume - Ultra Baixa Dosagem (UBV-UBD), produzindo neblinas com espectro muito homogêneo e tamanho de gota controlado com o uso dos Atomizadores Rotativos de Disco (ARD), estudando profundamente as relações entre tamanho de gota, morfologia dos insetos, micrometeorologia em torno das culturas, pilosidade das folhas etc. No sistema UBV-UBD as quantidades de principio ativo foram reduzidas em alguns casos particulares em até 10 vezes com a mesma eficiência biológica.

A partir desta época as aplicações em UBV passaram a ser realizadas com atomizadores rotativos de tela ou de disco devido a maior eficiência desses equipamentos quando comparados com os bicos hidráulicos.

Entretanto apesar de ser um recurso fantástico para o controle de pragas o sistema UBV tinha seus problemas naturais que fizeram com que a maioria dos aplicadores voltasse para os sistemas convencionais.

Alguns destes problemas são:
º Necessidade de apoio de pessoal qualificado.
º Maior limitação do fator vento devido ao pequeno tamanho das partículas.
º Dificuldade de formulação para aplicação de defensivos formulados em pós molháveis.
º Não aplica fungicidas.
º Não aplica herbicidas em pré-emergência.
º Requer formulações especiais, atualmente não disponíveis no mercado.
º Menor consumo dos inseticidas desencoraja os fabricantes e vendedores e resulta em enorme pressão comercial contra o UBV.

A partir da década de 80, uma nova forma de aplicação de inseticidas em UBV se desenvolveu no mundo inteiro e se baseia na utilização de óleos vegetais (ativados ou não com solventes e emulsificantes) como veículo dos inseticidas, fungicidas e herbicidas.

Ativados pela adição desses adjuvantes especiais, os óleos vegetais se misturam facilmente com os inseticidas no campo, formando emulsões invertidas quando misturados com água, permitindo as aplicações em Baixos Volumes com menor evaporação das partículas. Outro veículo usado é o melaço da cana que transmite à calda características não evaporantes aumentando em muito a eficiência das aplicações e o seu efeito residual.

Essa nova tecnologia de aplicação de defensivos foi desenvolvida no Brasil pelo Centro Brasileiro de Bioaeronáutica - CBB desde 1998 e foi denominada Baixo Volume Oleoso - BVO®.

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